sábado, 16 de dezembro de 2017

aquelas coisas

são as coisas que a gente não diz.
e por não sairem é que nos preenchem.
e quando enchem são jogadas de qualquer modo.

mas as coisas que a gente não diz.
viram coisas que a gente já não sabe e nem controla.
são as coisas que a gente distorce.

sempre que se cospe um distorce do peito.
do outro lado abre um vão de rejeito.
justamente onde não podemos limpar.

são as coisas que a gente não diz.
e por não sairem nos absorvem.

domingo, 5 de fevereiro de 2017

Agora é sobre mim


o lugar onde estive enquanto vivia
a paisagem de mato e flor
quando acordava o cheiro de chá invadia

ao olhar pro céu uma chuva de raio e cor
suspeitava que não só eu dormia
despertava para correr atrás do som

me arrumava para sentir o gosto do vento que vinha
e batia em mim depois de flutuar ao redor
de um mundo que jamais seria cinzento

de uma paixão estendida além do tempo e
do desejo de ser para sempre uma só.

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Segura

O que nos segura
É esse fio que sai dos seus olhos
Toda vez que te vejo

Ele chega dançando até os meus
E eu só posso enxergar
O que há de bom em tudo

O que há de presente entre nós
Um fio multicor, uma paz nublada 
De quem ta sonhando

Mas se fecha os olhos pra dormir 
O que nos segura quando teus braços estão enlaçados em mim?

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

.

eu que geralmente me contento com pouco
estou pedindo muito
para alguém que não aceita menos

a menos que seja de futuro
a menos que não lhe faça sair 
a menos que seja sobre te colocar ali

eu que geralmente não cobro nada
estou esperando sentada
a menos que alguém me levante.


quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Susto

Num salto onde quem mais pulou foi ela.
Uma lagartixa surgiu em cima de mim como se fosse jogada
Por um moleque qualquer

Meu coração na boca denunciava o susto
Mas o medo havia passado
No fim ja era graça. Despertada

Pulei nao so da cama, como do eixo
La estava agora a lagartixa paralisada
E eu gargalhava. Ela tinha medo. 

Me joguei pra fora do quarto 
Como quem quer dar um susto.
Reptiliana. Saí a procura de alguem na cama. 

sábado, 26 de setembro de 2015

/

Odeio. E é pelo simples fato de não se importar.
Não consegue considerar os lados. 

Odeio. E é mais por amar do que qualquer coisa. 
Como seguir depois desse ponto? Final.

Odeio. Cada vez que sinto saudade. 
Conheço a covarde. Ela sou eu. 

Não sei dar fim. Estou entregue. 
Você me lê. Não se enxerga. 

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Trovão

Amanheci com um raio na minha caixa de entrada. Fiquei na porta. Não me coube. Emails aos montes, qualquer coisa que não é minha ainda. Suas pegadas, minhas palavras derrubadas. Caiu seu raio na minha caixa e eu fiquei aflita, relampejada. Clarão.  Por um segundo, eu vi seu traço. Dava um caminho. Passei um dia de trovoada. Calada. Deixando me molhar. 

Tanto barulho não dá em nada. 

sábado, 5 de abril de 2014

confissão

todo sábado eu brigo comigo mesma. Ficamos chateadas.
a briga é pelo mesmo motivo e no fim eu reconheço a culpa.
ainda assim ficamos estranhas.
a iniciativa sempre fica por minha conta. e vou atrás de mim a todo custo.
nos abraçamos. fico em paz por ainda estar ali. fazemos promessas.

no domingo, eu sou só minha e seguimos o dia cheias de dedos.
o azul do céu nos anima. trocamos segredos íntimos. e eu confesso.
o dia se vai, e no fim estamos apenas nos olhando.

dormimos temendo a segunda.

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

mal de mim


descoberta a cura para o mal de mim. 
esse conselho leve, que vem de uma estrada esburacada. 
coisa que precisa de remédio. 

descoberta a mesinha ao lado da cama.
uma caixa enorme de novidades. várias teias de aranha.
copo de água para ajudar a descer.

mal de mim tá nos outros. 
eu tô em outro quarto. coma.

remédio para mal de mim, sempre será eu.






domingo, 31 de março de 2013

dor de pedra


Não se morre de dor de amor. Se morre de dor de pedras no rim.
Aquela pontada desesperadora. A sensação de que é o fim de tudo. Da sua vida, como tambem da vida de todas as outras pessoas. E dos animais.
Não dá pra enxergar o céu quando as pedras te atacam. Tudo é mal. A vaca, o leite e os caretas. Elas não param e é questão de pouco tempo pra você se desligar completamente. E morrer devagar em cima da cama. Sem nenhuma chance de reagir.

Entregue os pontos. As pedras venceram.
Se fosse dor de amor, qualquer um superava.

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

caneta infértil

Uma caneta entre os dedos 
parece um cigarro em 
chamas. Um vício 
imcompreendido e um desejo 
que não cessa.
De ser mais que código. A 
alma decifrada.Tempo 
estacionado. Uma herança 
deixada para qualquer 
filho, de qualquer mãe
infértil.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

embarco.

tinha uma ilha de frente pra mim. eu inclinada. passei com pressa. mas aquelas árvores me lembraram um livro. que tinha do outro lado. da minha infância. penso nele volta e meia. meio bobo em letras finas. um livro que não disse nada, só o desenho da capa. dura.
durou na minha cabeça e hoje a ilha voltou. pulou em mim. na minha lembrança. saltei de novo, um pequeno quadro. veio espelho. mostrando o que é meu. descobri que eu sou a ilha. essa viagem rápida. presa num montinho de areia. escrita estranha na página do livro. letra embolada. uma história de onda.

domingo, 5 de agosto de 2012

raspão

Fale comigo assim, não. De raspão. Eu tô na corda bamba e uma palavra torta eu caio. Desatine esse nó, que minha garganta pede um laço. Uma fita. Tira de pano engasgado. Outro dia mesmo, eu tava sentada lá na pista. No asfalto quente. Parecia descalça rachando o chão. Implorando aquela água. Você sabe. Fale baixo comigo. Meu silêncio ta rasgando até a roupa. Nessa corda gasta. Estique a minha mão que da queda eu passo. No mesmo raspo. Te agarro. E vamos dois equilibrando. Sem palavras.

sexta-feira, 6 de julho de 2012

curativo

basta se importar e todo o céu se abre em caminho de deus. só é preciso um pedaço de certeza. uma coisa dessas que dá ânimo na pontinha no pé e você anda. das horas que passam em dores mentirosas, que vem de outro e se instala. 

quando menos se espera, o clima tomou conta de todos na sala e não há frase certa nesse momento errado. um erro de espera. daquilo que cura. mas nada está doente. essa parede é saudável. ela bate por que é quina. mas não chora. a gente que machuca.

basta um band aid de importância com aquilo que nunca foi dito. e não há mais o que tapar. pele lisa, gesso intacto. a gente em paz

segunda-feira, 18 de junho de 2012

a queda

Que horas eu subi no cavalo? Que cor ele era? Tava dia normal. Tinha sino nenhum. Eu vi o cavalo e era manco. Eu montei. Eu vi uma fazenda inteira em uma só noite. O cavalo e eu em cima. Em cima no ceu. De nuvem em nuvem cavalo sonso. Sincero. Eu avistei paisagem verde no olho azul do bicho. Iludi a retina da gente. Botei cabresto em mim. Deixei animal em minhas costas. Não aguentei. Agora caí. Caí do cavalo.

segunda-feira, 30 de abril de 2012

brega. o amor.

eu esqueci tudo que eu sabia sobre amor. exatamente na hora que comecei a amar. foi um tal de me espera. e lá se foram meses para eu me arrumar. tudo aqui dentro tava limpo e ajeitado. eu até deixei de lado, aquela vontade tola de voar.


quando venta porta a fora, eu me apego na senhora que me amnesiou. começo sonho torto, desses anuviados. e eu não sei a que horas ela sentou do meu lado. e me disse: "vai. continua. eu te deixo sonhar". 


daí me lembro bem aos poucos. da casa antiga e do sofá. poltrona para um só. que passei anos para aprontar. hoje está aberta, senta dois. nos aperta. onde se acha chave de fenda que conserte modo de se amar? 


que conserte os dois, porque eu não vi como foi. mas na hora exata eu descobri que aquele olho era o destino em que eu queria me acalmar.

sábado, 28 de abril de 2012

cômodos

uma dose de alcool. todo resto é pequeno e cabe na cuba de gelo.
uma frieza envolvendo a dor e os olhos quentes como se fossem o sol de cada pensamento.

é fácil manter cabeça no lugar e copo na mão quando se tem apenas 2 cômodos. é fácil se manter no lugar.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Melhor amiga


Dentro da moça mora uma moça só.

Ela é maior do que o maior sentimento. Lá dentro, sai montada em seu cavalo e remonta meio mundo.
Cá fora a moça carrega um pote cheio. E toda noite pinga um ponto. É final.

Uma só e com problemas. Desmantelo.
Uma e a outra. Sem querer sair, nem entrar. Duas ligadas optando.

Uma moça final e sem amiga. Dia e noite se derramando.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Câimbra de abraço

todos os dias eu preciso de pouco.
desses que pra mim é tudo.
como a noite bem dormida.
a câimbra de tanto abraço.


toda noite eu sussurro um sonho.
e corro léguas dizendo não aos primeiros raios.
mesmo com o desejo do olho aberto.
de bom dia assanhado,


toda vez que tenho, eu imagino flores.
e mando buquês ao vento.
como num beijo suave de quem acorda pra dizer te amo!
depois de uma vida inteira de desejo velado.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

acesa

dá pra ver por cima as luzes apagadas
enquanto o dia "clara"
dá pra ver o amarelo de casa escurecida


pela cauda da minha lembrança
a tremedeira. o brilho raro vem da varanda
de porta aberta




de longe, se avista eu.
em pé, descalça


com a mente acesa. uma ideia certa.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

de romance

da sala fechada pra janela aberta. 
uma lua no céu. e café na mesa. pra dois.
do jeito calado direto pras minhas pernas.
uma alegria estranha.


vontade de beijo, rompendo a boca. 
há muito que queremos igual. pulando as cordas.
um cheiro no ar é o mesmo que uma ponte.


pensamentos de romance.



sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

emprestado

Essa noite eu tive um sonho. Não soube se era meu ou emprestado.
Nem se prestava. Me prestei a fazer tudo pra não ter volta. 
E lá se foi uma parte de minha noite. Exausta com palavras desconhecidas e gestos que me lembravam.


Olhos fechados pra ver além. Dessa viagem, só a certeza de que precisava de música. Mais alta que diálogos. Fiquei entre soluços pra tentar entender. Nisso foi meu dia todo. 
Outra noite eu vou procurar o dono e devolver o sonho que eu não quero ter. 
Porque eu me empresto, mas nem tudo que volta deve ser meu.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

eu digo.

.como não fazer, se ela me pede como quem não faz questão?
eu cheia de questão na cabeça, do tipo que vai e volta trazendo mais calma do que.
.como parar pra pensar no que é sentimento, se tudo que caminha aqui é fruto do que ela vela. 
tão sensível quanto um sorriso frouxo.  meu sorriso solto gritando aos saltos. 
.quase de assalto fui levada numa noite de sei lá o que. e só pude dizer sim.

.como não, se ela vem em mim como quem não quer nada, e me rapta um beijo além de qualquer outra ideia que tem aqui?

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

[nada]

do nada me vem aquela coisa que se entranha no pensamento 
e parece que ali era sua moradia. Não!
eu me pego em transe comigo e com a vontade de ir onde não é possível.
fazer da força um problema e medir o tema enquanto tiver lá.


na pressa, boba como quem se assusta com a dor que não chega. 
e volta pra tentar encontrar (...)
do nada, esse assalto do meu peito, e eu correndo.
no espaço curto desse corpo.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

0, 1...

eu morro pra nascer mais velha.
época da perda em um mundo nebuloso.
é como se eu fosse cega e ninguém me visse.

eu ando num momento de rever.
mas do outro lado tudo passa num estalo violento.
é como se eu estivesse parada e empurrasse alguém.

eu deveria comemorar, porque, além de tudo,
eu ainda tenho a mim, e me entender não é difícil.
é como se eu lesse a carta e pudesse reescrever.

é como se eu recebesse a carta,
toda vez que eu chegasse de viagem.




sábado, 15 de outubro de 2011

passeio

Uma mania antiga
de reconhecer pessoas
antigas

Essa mania de pessoa
que precisa de novidade
pra se sentir

passada. Como quem tem
que correr de um tempo
pra parecer que não

foi banida. De uma coisa
velha, arrastada pela memória
que ninguém tem mais

saudade.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

arroto

Eu preciso aprender a arrotar. Nunca soube fazer direito.
Todos arrotavam. Alto, longe. E riam, e rolavam.
E eu rolava, mas forçava à toa, um estrondo que não vinha.
Um trovão sem medo. Um vazio instalado.

Um alívio que custava a chegar.
Eu preciso aprender a aliviar. E revidar meu som.
E correr aos gritos. E preparar de novo.

Um arroto meu, que eu vou ouvir e rir, e me jogar.

Ficar lá.
Até não sair mais nada.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

incômodo

Tem hora que começa a incomodar nos pés.
Você desatenta. Sobe. Vai direto pra cabeça.
E se espalha. Bicos, dobras, pêlos e mãos.

Não sei se devo perguntar.
Mas fico como quem quer dar voltas pela borda.
Puxar com mão molhada. Ir até o fim.
Momento de ser mais nada.
Um lençol inteiro. A boca por cima de mim.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

luz

Passou um rastro de luz e eu segurei firme
meu corpo de lado dava piruetas
Era passeio e não se via a frente.

Gritos de imaginação e cada um me dizia algo bom
Foi mais pro alto que eu vi as pernas
Já era ilusão de quem tá cego como uma mão no olho.

Passei do rastro de luz e consegui colocar no bolso
uma perna mais grossa, caminhando sem descansar.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

pago.



Abaixou o volume e desanimou
Como se tivesse gastado todas fichas.
Lembrou que não tinha comprado nenhuma.
E entendeu que o desânimo é preço pago.

Mais do que algo que se leva.
Uma coisa que se vê de longe.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

doce




Me enche de doce alegria.
Uma espécie de esperança sem beleza.
Uma fonte que se esgota aqui.
Para eu cavar mais lá dentro.

E aqueles olhos mudaram.
Como pessoas diferentes.
Em uma só alegria infantil.
Que não pode durar muito.

Mas que deve seguir sem dia certo pro fim.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

.u.f.a.

hoje eu sofri por antecipação. passei pela frente e tomei chuva.
como se os raios fossem de um pesadelo
como se eu fosse a nuvem

hoje eu conheci tudo que se sente longe das manhas.
como se a vela apagasse sem vento
uma pontada de coração

hoje eu durmo sem sonhos lá fora
me viro com o que tem na caixa
e suspiro de alívio por ter sido impressão

um dia estranho para confirmar o que eu desconfio.



quinta-feira, 18 de agosto de 2011

potes

Da primeira vez que eu senti saudade, foi como se um pedaço do tempo tivesse sido guardado na caixa esquecida da mudança. Quando eu me lembrei dessa caixa, um raio grande partiu minha cabeça até a ponta do coração.

Sentia a falta disso nas minhas coisas. Em dias de sol, era o tempo de sorrir sem doer o queixo. Em noite de chuva, pedia o tempo de chegar em casa antes de me molhar. Nas tardes de fome, dava tempo de fazer pipoca na panela.

Hoje, toda saudade que tenho divido em potes e espalho pela casa de praia. Cobertas de areia. Se perco um, me coloco a brincar de procurar os outros e nunca estou sozinha. Um sopro de lembrança no pote de saudade e o tempo vem em mim no caminho partido que o raio deixou.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

voar



se penso que vou voar é como se mantivesse meus pés no alto da colina. dessa altura eu vejo que posso ficar no chão e sentir o que tem o céu. me vem em ondas os pensamentos que não consigo lembrar dos sonhos.

volto pra casa como se tivesse conhecido toda a galáxia
mas não consigo contar como eram os nomes
tem dias que me vejo atrasada pra correr com eles
e ao me deparar com as letras não faço fontes.
se penso que posso andar, sem buscar nada no alto
esqueço que é pra lá que eu envio meu plano
e quando é hora de buscar. estou perdida aqui embaixo.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

comemoração





para o ano eu vou ser dela
para um ano ela sempre mais bela
daqui a pouco eu fico encantada

como quem espera um raio
de sol, de namorada.
Nesse ano ela é só minha

como quem combina
uma caminhada
eu amo essa agonia


quinta-feira, 21 de julho de 2011

em meio




No meio da tarde, a ordem é guardar suas curiosidades.
No meio da conversa, o melhor é continuar olhando.
No meio da construção, sua pedra não ergue torre.
No meio do outro, você não tem controle.

Sem meio termo, lado a lado são dois lugares diferentes.

domingo, 17 de julho de 2011

descontrole



de repente me ocorre uma alegria descontrolada. um riso caído sobre mãos desastradas. e me vem o gesto sem medida de quando eles correm. já começo a correr sem destino. e começo lutar como em batalhas. sou mais fácil do que desenho animado. e me animo toda em poder desenhar. de repente corre essa alegria e eu fico controlada. sem riso certo na boca miúda. sem nada perto de qualquer ação. junto tudo e fico parada, como um decalque num papel rolando no chão.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

3



Correram duas e depois cansaram. Ficamos três paradas. Um ponto vazio na noite.
Correu nenhuma e eu fiquei sentada. Me dividi em seis. Três pontos não dizem nada.
Parei na hora do começo. E fomos todas desesperadas. Era minha vez.
Depois se via três, uma sempre equivocada. Não entendo hoje.
No final só eu saí de casa, e corri bem longe. Altas gargalhadas.

domingo, 8 de maio de 2011

papel


Um pedaço de papel amassado. Um milhão de rabiscos mal traçados.
Uma tinta que não solta fácil. Uma borracha que só se vê de longe.
Um amargo na ponta do dedo. Um rasgo na ponta do queixo.
Uma poça de tinta no chão.
Nenhum quadro feito. Nenhum pincel por perto.
Uma pessoa sem jeito com um dos braços abertos.

quinta-feira, 24 de março de 2011

céu



Um pedacinho do céu no chão. Um pedacinho de mim em sua mão. Um pedacinho da boca do céu. Hoje eu pensei em mergulhar, mas de cabeça pra baixo não saí do lustre. Quis limpar esse tapete.
Um pedacinho disso em mim. Posso sumir em qualquer universo.